terça-feira, 4 de outubro de 2011


           O SURGIMENTO DO PRESBITERIANISMO NO BRASIL

O surgimento do presbiterianismo no Brasil resultou do trabalho missionário do americano Ashbel Green Simonton (1833-1867), que chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade. Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português; em janeiro de 1862 foi fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro jornal evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o primeiro presbitério (1865) e organizou um seminário (1867). O Rev. Simonton morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em 1867 (sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes).
Rev. Belmiro César
Calvinismo
John Calvin.jpg
João Calvino
Bases históricas:

Cristianismo
Agostinho de Hipona
Reforma
Marcos:

A Institutio Christianæ Religionis de Calvino
Os Cinco Solas
Cinco Pontos (TULIP)
Princípio regulador
Confissões de fé
Influências:

Teodoro de Beza
Sínodo de Dort
Teologia puritana
Karl Barth
Igrejas:

Reformadas
Presbiterianas
Congregacionais


O ex-padre José Manuel da Conceição (1822-1873), foi o primeiro brasileiro a ser pastor (1865). Visitou incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando e fundando comunidades. O ano de 1869 marca uma nova etapa na história da IPB por ser o ano da chegada dos missionários da Igreja Presbiteriana do sul dos Estados Unidos. Nesta época, em virtude dos problemas políticos enfrentados nos Estados Unidos, havia duas Igrejas Presbiterianas: uma do norte do país (a PCUSA) - que enviou os primeiros missionários ao Brasil - e outra no sul (a PCUS).

Os primeiros missionários da Igreja do sul dos Estados Unidos a vir para o Brasil foram George Nash Morton e Edward Lane. Seu trabalho concentrou-se no interior de São Paulo, tendo fundado, em 1870, a Igreja Presbiteriana de Campinas. As regiões da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo Mineiro e o sul de Goiás foram atingidos por outros missionários que os seguiram, dentre eles o Rev. John Boyle.

A expansão da IPB no norte e no nordeste do país deve-se ao trabalho pioneiro dos missionários da PCUS. Dentre os muitos nomes deste período fulguram o do missionário John Rockwell Smith, que fundou a Igreja Presbiteriana do Recife, em 1878, e o Rev. Belmiro de Araújo César, um dos primeiros e mais conhecidos pastores brasileiros do nordeste.

Durante este período, a missão da Igreja Presbiteriana do norte dos Estados Unidos (PCUSA) se consolidava no restante do país. Um dos grandes eventos deste período foi a fundação da Escola Americana, em 1870, por George Chamberlain e sua esposa, Mary Chamberlain. A Escola Americana, mais tarde, passaria a se chamar Mackenzie College, chegando a ser o conhecido Instituto Presbiteriano Mackenzie, que abriga, dentre outras instituições, a Universidade Mackenzie.

Alguns novos pastores brasileiros são ordenados nestes anos, como Manuel Antônio de Menezes, Delfino dos Anjos Teixeira, José Zacarias de Miranda e Caetano Nogueira Júnior. O grande nome, no entanto, viria a ser o do Rev. Eduardo Carlos Pereira.
Rev. George Chamberlain

Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil, assim tornou-se autônoma, desligando-se das igrejas norte-americanas.

Depois da proclamação da república nasceu um movimento nacionalista no seio da IPB, em que pastores brasileiros manifestaram-se contrários a missionários americanos por serem maçons, gerando um cisma que levou à fundação da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Um grande líder do começo do século XX foi o pastor Erasmo Braga. O presidente da república Café Filho era presbiteriano e frequentava a 1ª Igreja Presbiteriana de Natal [5]

Ao longo do século XX, surgiram outras igrejas congêneres que também se consideram herdeiras da tradição calvinista. São as seguintes, por ordem cronológica de organização: Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (1903), Igreja Presbiteriana Conservadora (1940), Igreja Presbiteriana Fundamentalista (1956), Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (1975), e Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (1978).

A Igreja Presbiteriana do Brasil, ao ano de 2003, possuia aproximadamente 3.840 igrejas locais (sem contar as congregações), 263 presbitérios, 64 sínodos, 2.660 pastores, 503.500 membros - sendo 370.500 membros comungantes (que participam da Santa Ceia) e 133.000 membros não-comungantes -, estando presente em todos os estados da federação [6]. Segundo estimativa de 2008, a IPB possui 4.212 igrejas e 980.000 membros.[1]

O órgão oficial da IPB é o Jornal Brasil Presbiteriano.
[editar] Estrutura

O governo presbiteriano é uma forma de organização da Igreja que se caracteriza pelo governo de uma assembléia de presbíteros, ou anciãos. Esta forma de governo foi desenvolvida como rejeição ao domínio por hierarquias de bispos individuais (Episcopado).

A função do ministério da palavra de Deus e a administração dos sacramentos é ordinariamente atribuída a uma pessoa em cada congregação local.

A administração da ordenação e legislação está a cargo das assembléias de presbíteros, entre os quais os ministros e outros anciãos são participantes de igual importância. Estas assembléias são chamadas concílios.

Os concílios presbiterianos crescem em gradação hierárquica. Cada Igreja local tem o seu concílio, chamado de conselho. As Igrejas de uma determinada região compõem um concílio maior chamado presbitério. Os presbitérios, por sua vez, compõem um sínodo. O concílio maior da Igreja Presbiteriana do Brasil é o Supremo Concílio.

Cada igreja local se divide em departamentos que organizam as atividades de cada faixa etária: UCP (União de Crianças Presbiterianas), UPA (União Presbiteriana de Adolescentes), UMP (União de Mocidade Presbiteriana), UPH (União Presbiteriana dos Homens) e SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina).
[editar] Sínodos
Escultura representando a primeira santa ceia protestante no Brasil, em frente à Catedral Presbiteriana, no Rio de Janeiro.

    Ver página anexa: Lista de sínodos da Igreja Presbiteriana do Brasil

[editar] Presidentes do Supremo Concílio da IPB

A IPB, sendo governada por sistema conciliar, não admite a personificação desse governo. Assim sendo, os nomes elencados abaixo não se caracterizam como presidentes da IPB, e sim como presidentes do concílio maior que governou ou governa a Igreja em cada época.

Nos 150 anos da IPB, passaram pela presidência de seu concílio maior 39 pastores. Desde a sua criação até hoje, esse concílio maior teve quatro diferentes estruturas: Presbitério do Rio de Janeiro (1865 a 1887); Sínodo do Brasil (1888 a 1910); Assembléia Geral (1910 a 1942); e Supremo Concílio (1942 até hoje).
[editar] Presbitério do Rio de Janeiro (1865-1887)
Nome      Mandatos
Rev. Alexander Latimer Blackford 1865-1868 e 1884-1885
Rev. Francis Joseph Christopher Schneider         1869-1870 e 1872
Rev. Robert Lenington   1870-1873 e 1876
Rev. George Whitehill Chamberlain       1873-1874 e 1877-1878
Rev. Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa   1875-1877 e 1883-1885
Rev. Miguel Gonçalves Torres       1878-1879 e 1887-1888
Rev. John Beatty Howell        1879-1880
Rev. João Fernandes Dagama      1880-1881
Rev. Antônio Bandeira Trajano      1881-1882
Rev. Antônio Pedro de Cerqueira Leite         1882- 1883 e 1885
Rev. Eduardo Carlos Pereira 1885-1886
Rev. José Zacarias de Miranda e Silva         1886-1887
[editar] Sínodo do Brasil (1888-1910)
Nome      Mandatos
Rev. Alexander Latimer Blackford 1888-1891
Rev. Miguel Gonçalves Torres       1891-1894
Rev. Antônio Bandeira Trajano      1894-1896
Rev. John Merrill Kyle    1897-1900
Rev. Samuel Rhea Gammon 1900-1903
Rev. João Ribeiro de Carvalho Braga   1903-1906
Rev. Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa   1906-1910
[editar] Assembléia Geral (1910-1942)
Nome      Mandatos
Rev. Álvaro Emygdio Gonçalves dos Reis    1910-1912 e 1920-1922
Rev. Roberto Frederico Lenington         1912-1915
Rev. John Rockwell Smith      1915-1916
Rev. Horace Selden Allyn      1916-1917
Rev. Mattathias Gomes dos Santos      1917-1918 e 1926-1928
Rev. Constâncio Homero Omegna        1918-1920
Rev. Alva Hardie     1922-1924
Rev. Erasmo de Carvalho Braga    1924-1926
Rev. José Carlos Nogueira    1928-1930
Rev. Coriolano Dias de Assunção         1930-1932
Rev. Miguel Rizzo Júnior        1932-1934
Rev. Cícero Siqueira      1934-1936
Rev. Galdino Moreira     1936-1942
[editar] Supremo Concílio (1937- )
Nome      Mandatos
Rev. Guilherme Kerr       1937-1942
Rev. José Carlos Nogueira    1942-1946
Rev. Natanael Cortez     1946-1950
Rev. Benjamim Moraes Filho 1950-1954
Rev. José Borges dos Santos Junior     1954-1958 e 1958-1962
Rev. Amantino Adorno Vassão      1962-1966
Rev. Boanerges Ribeiro         1966-1970, 1970-1974 e 1974-1978
Presb. Paulo Breda Filho       1978-1982 e 1982-1986
Rev. Edésio de Oliveira Chequer   1986-1990 e 1990-1992
Rev. Wilson de Souza Lopes         1992-1994
Rev. Guilhermino Cunha        1994-1998 e 1998-2002
Rev. Roberto Brasileiro 2002-2006, 2006-2010 e 2010-Atual
[editar] Missões

    JMN - Junta de Missões Nacionais
    APMT - Agência Presbiteriana de Missões Transculturais
    Missão Evangélica Caiuá

[editar] Autarquias

    Editora Cultura Cristã
    Luz para o Caminho
    Rede Presbiteriana de Comunicação
    Acampamento Presbiteriano de Ceres (APC)

[editar] Educação

    Institutos
        Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM)
        Instituto Presbiteriano de Educação (IPE)
        Instituto Presbiteriano Gammon (IPG)
        Instituto Bíblico Eduardo Lane (IBEL)
        Instituto Presbiteriano do Nordeste (IPNE)
        Instituto Cristão de Castro (ICC)
        Instituto Bíblico do Norte (IBN)
        Instituto Bíblico Philipe Landes
        Instituto Samuel Graham (ISG)
        Instituto Presbiteriano Educacional e Social Rev. Robert Harry Camenish
        Instituto Bíblico Rev. Augusto Araujo (IBAA)
        Instituto Bíblico de Rondônia (IBRO)
        Instituto Presbiteriano de Educação de Minas Gerais (IPEMIG)

    Associações
        Fundação Educacional Presbiteriana (FEP)
        Federação Nacional das Escolas Presbiterianas (FENEP)
        Associação Nacional de Escolas Presbiterianas (ANEP)

    Escolas
        Colégio Presbiteriano de Juina (C.P.J.)- Juína-MT
        Escola Presbiteriana de Alta Floresta
        Escola Presbiteriana Erasmo Braga
        Colégio Presbiteriano Gênesis (IP13 - Aracaju -se)
        Colégio Presbiteriano Agnes Erskine
        Colégio Presbiteriano XV de Novembro
        Escola Presbiteriana de Landes
        Instituto Presbiteriano de Educação Simoton (IPES)
        Escola Presbiteriana de Cuiabá
        Escola Presbiteriana Betel
        Colégio Presbiteriano de Piumhi


    Juntas
        Junta Regional de Educação Religiosa (JURET)
        Junta de Educação Teológica (JET)

    Seminários
        Seminário Teológico Presbiteriano de Brasília
        Seminário Teológico Presbiteriano do Sul - Campinas
        Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição - São Paulo
        Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Ashbel Green Simonton - Rio de Janeiro
        Seminário Teológico Presbiteriano Norte - Recife
        Seminário Teológico Presbiteriano do Nordeste - Teresina
        Seminário Teológico Presbiteriano do Brasil Central - Goiânia
        Extensão do Seminário Teológico Presbiteriano Brasil Central - Ji-Paraná
        Seminário Presbiteriano rev. Denoel Nicodemos Eller - Belo Horizonte
        Faculdade Teológica Sul Brasileira - FATESUL - Curitiba

Referências

    ↑ a b c http://www.primeiraipbh.org.br/CE2009/CE%202009/Doc162.pdf
    ↑ Igrejas iniciadas pela IPB em outros países constitúem suas próprias denominações ou se juntam as já existentes onde foram instituídas.
    ↑ http://www.columbia.edu/cu/lweb/img/assets/6398/MRL9_Simonton_FA.pdf
    ↑ http://www.primeiraipbh.org.br/CE
    ↑ FERREIRA, J. A. História da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, Casa Editora Presbiteriana. 1959. Vol. 1. p. 398.
    ↑ http://www.ipb.org.br/institucional.php3?idins=64

Origem: Wiquipédia, a Enciclopédia livre.

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