quarta-feira, 2 de novembro de 2011


O sono que enfraqueceu um homem

Não sei se com você acontece o mesmo que se passa comigo. Procuro acordar cedo todos os dias para ter alguns momentos de intimidade com Deus. Quando ouço o despertador logo levanto para desligá-lo, mas todos os dias me vem uma tentação de voltar para a cama e dormir um pouco mais. Quando cedo a esta tentação sempre acordo atrasado para sair para o trabalho.
Quando este “fenômeno” acontece minha comunhão naquele dia fica comprometida, porque o dia cheio de atividades dificulta ter um momento a sós com Deus. O Senhor espera que nós o busquemos pela manhã. A vida do salmista é um exemplo para nós: “Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento a minha oração, e vigio” (Sl 5:3). Nas horas tranquilas da manhã podemos nos alimentar com o sólido alimento vindo dos céus.
Pedro: Fraqueza frente ao pecado
A Bíblia nos apresenta uma história de derrota frente ao pecado que nos ajuda a tirarmos algumas lições importantes. Pedro não conseguiu ter forças quando foi tentado durante o julgamento de Cristo.
Jesus estava sendo humilhado em seus últimos momentos do ministério terrestre. Enquanto isso Pedro o observava de longe (Lc. 22:54). Pedro agiu como alguns cristãos modernos. Não têm coragem de abandonar a fé definitivamente, mas segue Jesus de longe. Na prática são pessoas que frequentam os cultos na igreja toda semana, mas no trabalho, na escola, na faculdade se comportam como se nunca conhecessem a Jesus. Aliás, essas pessoas não precisam falar que não conhecem a Jesus, suas ações “gritam” essa informação para o mundo.
As pessoas que estavam próximas a Pedro rapidamente o identificaram como um daqueles que andavam com Cristo. A convivência com o Senhor, imperceptivelmente, transformou aquele Pedro impetuoso em alguém que falava de forma parecida com Deus. É assim que acontece conosco, quando convivemos com Jesus, através da Bíblia e da oração, nos parecemos cada dia mais com Ele.
Naquele momento, ao ser confrontado pelas pessoas, Pedro fez tudo o que podia para negar que andou com Cristo. Cometeu um tremendo pecado. Negou veementemente três vezes a Jesus. “Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, havendo saído, chorou amargamente” (Lc 22: 61,62).
A causa da fraqueza
Sempre ouvimos que aqueles que vivem com Jesus são fortes contra a tentação. Mas quando olhamos para a experiência do apóstolo Pedro, inevitavelmente vem uma pergunta: como alguém que andava com Jesus, ouvia seus ensinamentos pôde cometer um pecado tão grande? O que houve de errado com Pedro?
Encontramos a resposta em Mateus 26:40: “Voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Assim nem uma hora pudestes vigiar comigo?”.
Pedro havia sido convidado por Jesus para ir ao Jardim do Getsêmani. Era um momento de muita angústia para o Senhor e de definição para o destino eterno do planeta. Naquele dia Jesus estava sofrendo a forte tentação de desistir do plano da salvação. Caso isso acontecesse todos nós estaríamos eternamente perdidos. A angústia era tamanha que Jesus suou sangue e, quase esgotado fisicamente, cambaleou em direção ao Seu lugar de oração. Levou alguns dos seus discípulos, dentre eles Pedro.
A união de Cristo com o Pai O deu forças para dar continuidade à nossa redenção: “Então [Jesus] toma a decisão definitiva: salvará o homem a qualquer custo. Ele deixou as cortes celestes onde tudo era pureza, felicidade e glória para salvar a única ovelha que se perdera, o único dentre os mundos criados que caíra em pecado e não abandonaria Seu propósito. Sua prece agora transpira apenas submissão: “Meu Pai, se não é possível passar de Mim este cálice sem que Eu o beba, faça-Se a Tua vontade.” Mat. 26:42.” (Vida e Ensinos, 105)
A atitude dos discípulos naquele momento foi bem diferente da atitude de seu Mestre. Quero colocar o foco em Pedro. Jesus o havia advertido para orar, pois enfrentaria momentos difíceis. Mas ao invés de obedecer ao conselho de Cristo ele, vencido pelo cansaço, foi dormir. Enquanto deveria vigiar e orar Pedro estava dormindo, este foi o grande erro de Pedro. É verdade que eles estavam cansados, precisavam dormir. Mas dormir, naquele momento, não era a prioridade. Mesmo assim, Pedro deu prioridade ao sono e deixou a comunhão em segundo plano.
Aquela decisão teve uma consequência imediata: na hora da prova, faltou força. “Fora por dormir quando Jesus lhe recomendara vigiar e orar, que Pedro preparara o caminho para seu grande pecado. Todos os discípulos, dormindo na hora crítica, sofreram grande dano. Cristo sabia a cruel prova por que eles haviam de passar. Sabia como Satanás havia de agir para lhes paralisar os sentidos, a fim de se acharem desapercebidos para a prova. Fora por isso que lhes dera aviso. Houvessem aquelas horas no horto sido passadas em vigília e oração, e Pedro não teria ficado dependente de suas débeis forças. Não teria negado a seu Senhor” (Desejado de Todas as Nações, 714).
Uma hora a menos de sono não teria feito nenhuma diferença na vida física de Pedro. Mas uma hora a menos de oração, fez toda a diferença, para o mal, na vida espiritual dele.
Nossa decisão: força ou fraqueza?
A experiência de Pedro deve nos levar a profundas reflexões. A Bíblia diz “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar;” (I Pe. 5:8). Todos os dias o inimigo de Deus, sabendo que seu destino eterno já está definido, tenta nos arrastar para o seu lado. Ele sabe que não pode vencer Jesus, então tenta atingir o Senhor derrotando os Seus amados filhos.
Costumo dizer que Satanás não tem uma fábrica de tentações. Ele tem uma manufatura de tentações, ou seja, elas saem personalizadas. Ele ataca cada um em seu ponto fraco. Por isso, devemos estar alerta a cada momento, do contrário seremos derrotados pelo inimigo.
Não existe outra forma de obtermos forças contra as tentações. Somente a ligação com o céu nos fortalece. A vida devocional de Jesus é um exemplo para nós. Ellen White diz: “Vede o Filho de Deus curvado em adoração a Seu Pai! Conquanto seja o Filho de Deus, robustece Sua fé por meio da prece, e mediante a comunhão com o Céu traz a Si mesmo força para resistir ao mal e ministrar às necessidades dos homens”(Atos dos Apóstolos, 56).
Mesmo diante de um dia muito atarefado, Jesus Cristo não negligenciava a comunhão. “O dia todo labutava Ele, ensinando o ignorante, curando o enfermo, dando vista ao cego, alimentando a multidão; e na vigília da noite, ou cedo de manhã, saía para o santuário das montanhas, em busca de comunhão com Seu Pai. Passava por vezes a noite inteira a orar e meditar, voltando ao raiar do dia ao Seu trabalho entre o povo”. (Desejado de Todas as Nações, 260)
Se Jesus, o próprio Deus, precisava passar momentos em oração para aprofundar sua comunhão com o Pai, quanto mais nós pecadores. Somos convidados a passar tempo com Deus. Ellen White aconselha: Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito. Se queremos ser salvos afinal, teremos de aprender ao pé da cruz a lição de arrependimento e humilhação. (Desejado de Todas as Nações, 83)
Alguns cristãos cometem literalmente o mesmo erro de Pedro. Preferem passar uma hora a mais na cama a levantar-se e passar tempo em comunhão com Deus. Isso é um tremendo prejuízo espiritual. Cristo mais uma vez dá o exemplo. “O alvorecer encontrava-O muitas vezes em algum lugar retirado, meditando, examinando as Escrituras, ou em oração. Com cânticos saudava a luz da manhã. Com hinos de gratidão alegrava Suas horas de labor, e levava a alegria celeste ao cansado e ao abatido” (Ciência do Bom Viver, 52)
Algumas pessoas negligenciam a sua comunhão por causa de outras “horas de sono”. Passam horas na frente do aparelho de televisão, mas não dedicam tempo à leitura da Bíblia. Outros passam a noite inteira na internet, mas acham muito tempo passar trinta minutos em oração. Passam horas assistindo partidas desportivas, mas se o culto no sábado passa um pouco do tempo ficam impacientes e reclamando.
Não podemos perder a consciência de que estamos no meio do Grande Conflito. As forças do bem e do mal estão ininterruptamente brigando e o motivo dessa disputa é o domínio da mente humana. No conflito cósmico o vencedor da guerra já está definido, Deus já venceu. Mas em nossa vida a batalha ainda não está definida. Nem Deus nem Satanás têm autoridade de definir isso por nós. Nós decidimos. O tempo que passamos em comunhão com o Criador é que definirá de que lado estamos nesta batalha.
Quanto tempo você passou em oração hoje? Nesta última semana, quantas vezes você acordou um pouco mais cedo para passar uma hora em comunhão com Cristo? Se suas respostas a estas perguntas não são muito satisfatórias, então peça a Deus perdão e forças. Deus é o maior interessado em comungar conosco, mas os mais beneficiados somos nós, pois são nestes momentos que adquirimos forças para vencermos as batalhas do cotidiano. Reserve a primeira hora da próxima manhã para sua comunhão pessoal e nunca mais abandone este hábito.
Felippe Amorim

Existir ou viver?

Conta-se que o médico estava temeroso. Alexandre, o Grande, havia deixado seu cavalo doente para tratamento e havia dito que, se recebesse o aviso de sua morte, o portador da notícia seria, também, morto. Agora, o cavalo jazia morto. O que fazer? Quem ousaria contar o triste fato ao imperador? O médico não tinha coragem. Soldados recusavam-se a fazê-lo. Um filósofo, embora alertado sobre as consequências, decidiu voluntariamente que ele contaria ao rei a trágica notícia. “Vim trazer notícias de seu cavalo”, anunciou, ao ser introduzido diante do rei.
- Como está meu cavalo? – perguntou Alexandre.
- Não tão bem quanto o senhor desejava – continuou o filósofo.
- O que, exatamente, isso quer dizer?
- Digo que, desde ontem, seu cavalo não come.
- O que mais?
- Também desde ontem, seu cavalo não se move.
Cada vez mais preocupado, Alexandre perguntou:
- O que mais?
- Desde ontem, também não respira.
- Então ele está morto! – esbravejou o jovem imperador.
- O senhor é quem está dizendo! – astutamente replicou o filósofo.
A veracidade da história pode ser questionada, visto que já a ouvi diversas vezes, porém nunca encontrei uma fonte escrita que a confirmasse. Talvez até tenha acontecido com outro rei. O fato é que a narrativa, embora se refira a um cavalo, faz uma descrição simplista do que é viver: comer, mover-se e respirar. Seria isso o que Deus planejou quando fez de Adão uma ‘alma vivente’?
Acredito que não. Acredito que viver é muito mais que comer, mover-se ou respirar. Não é possível imaginar como seria nosso período de vida neste mundo sem as emoções que sentimos, sem os relacionamentos gratificantes que marcam nossa história, sem a consciência da realidade que nos cerca e da capacidade de agir para modificá-la, sem as atividades que provocam alegria, sem os desafios que enfrentamos, sem as aprendizagens de cada dia. Há ainda o aspecto principal – a ligação com Deus, que nos dá o pleno sentido para a existência. Existir para comer, mover-se ou respirar pode ser vegetar, mas jamais viver em plenitude.
A morte recente da cantora Amy Winehouse, bem como o lamento de seus fãs, fazem-nos pensar no assunto de uma forma um pouco mais profunda. Afinal, o que pode ser mais lamentável: sua morte ou sua vida? Não quero dizer que se deve lamentar que uma pessoa viva ou desejar que morra, mas apenas refletir: podemos considerar vida, no sentido pleno, uma existência que se tornava suportável apenas através da fuga constante da realidade com o uso de drogas, legais ou ilegais? Podemos considerar vida a incapacidade de sentir prazer até mesmo nos momentos que supostamente deveriam ser agradáveis, nas viagens a lugares inebriantes, estadias em hotéis luxuosos, reconhecimento e aclamação pelo trabalho? Podemos considerar vida uma existência tão marcada pela necessidade de anestesiar-se que impede a pessoa de realizar o que mais ama e demonstrar o talento inquestionável?
Se, com empatia, formos capazes de olhar além de toda a polêmica causada, dos flashes que satisfaziam os paparazzi, de todo o alarde que causava na mídia, podemos ver um ser humano em dor emocional lacerante e constante, que necessitava de drogas psicotrópicas para anestesiar sua sensação de vazio e sofrimento. Amy comia (talvez não muito), movia-se (cada vez com menor coordenação) e respirava. Existia, porém não vivia.
E então, lamentamos por sua morte? Sem dúvida. Ela não estava nos planos do Criador para o ser humano, e se ela é contrária à Sua natureza, é contrária também à nossa. Esse é um sentimento plantado em nosso coração pelo próprio Deus. Entretanto, acredito que mais digna de lamentação é a constatação de uma existência que já não sabia o que era viver.
“Eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância” (Jo 10:10). Esse é o plano dAquele que nos doou a vida. E diante de nossa incapacidade, como espécie decaída, de manter esse dom, Ele ainda “amou o mundo de tal maneira, que deu Seu filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3:16). Que diferença! Ao invés da existência, vida plena e eterna! Existir ou viver? Escolher Jesus é escolher a vida.
(Lilian Martins Larroca, professora e psicopedagoga)
Fonte: Criacionismo

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